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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de assinatura de atos

Dilma Rousseff, President, Brazil, New Delhi, March 29, 2012

Com grande satisfação, faço minha primeira visita de Chefe de Estado à Índia. Agradeço ao primeiro-ministro Manmohan Singh a calorosa acolhida e felicito seu Governo pela bem-sucedida realização da IV Cúpula do BRICS.

Fizemos nas nossas reuniões bilaterais excelentes conversações sobre as relações estratégicas entre o Brasil e a Índia.

Como grandes países em desenvolvimento, democráticos e multiculturais, Índia e Brasil compartilham muitos desafios e visões coincidentes sobre o mundo.

Nossas afinidades baseiam-se na promoção do progresso econômico de nossos povos, com inclusão social, erradicação da pobreza e progresso tecnológico. Somos ainda países que privilegiam a solução pacífica de controvérsias, por meio da mediação e do entendimento mútuo.

Eu e o primeiro-ministro Singh estamos construindo uma verdadeira parceria estratégica, inspirada em ideais comuns, com fortes vínculos não só no plano da cooperação bilateral, mas também em foros multilaterais, por meio da coordenação de posições conjuntas.

Nossas aspirações permitiram a construção de uma sólida relação de confiança que nos fortalece no enfrentamento de novos desafios e nos confere papel de crescente relevāncia no cenário internacional.

Apesar da crise financeira global e de seus reflexos em nossos países, temos plena consciência do dinamismo de nossas economias.

Nos últimos 10 anos, o fluxo bilateral de comércio e investimentos apresentou sistemático crescimento. Em 2011, nosso intercāmbio comercial atingiu US$ 9,2 bilhões, um expressivo aumento de 20% em relação ao ano anterior.

A amplitude e a diversidade das economias indiana e brasileira nos inspiram a buscar novas oportunidades concretas de intercāmbio que traduzam a meta de US$ 15 bilhões para o comércio bilateral até 2015.

Para tanto, Índia e Brasil dispõem de instrumentos importantes como o Acordo Mercosul-Índia, de 2009, que devemos e queremos ampliar.

Devemos, ainda, fortalecer e revitalizar o Fórum Empresarial Brasil-Índia, cujo encontro encerrarei logo mais e que trouxe à Índia mais de 150 empresários brasileiros. Iremos aumentar sua frequência e densidade, de forma a melhor identificarmos oportunidades de negócios e aprofundarmos o conhecimento mútuo.

A fim de diversificar a pauta bilateral, iremos, em particular, promover o intercāmbio em setores com forte componente tecnológico - como aeronaves, tecnologias da informação, medicamentos e equipamentos médico-hospitalares, assim como energia nuclear civil e outras atividades.

Em matéria de investimentos, saudamos o fortalecimento da presença indiana no Brasil, por meio de seus empresários, hoje concentrada em setores diversos, como o químico, farmacêutico, sucroalcooleiro e de tecnologia de informação. Da mesma forma, queremos estimular a instalação de maior número de empresas brasileiras na Índia. Em particular, acreditamos que atividades conjuntas do setor de agronegócios poderão gerar investimentos na cadeia de processamento de alimentos e refrigeração na Índia.

No campo da cooperação bilateral, nossas instituições têm identificado, nos últimos anos, oportunidades de atuação conjunta nas mais diversas áreas, incluindo ciência e tecnologia, espaço exterior, saúde, agricultura, energia, meio ambiente, defesa, educação, cultura, esportes e temas sociais.

Na área educacional, a Índia e o Brasil tornar-se-ão importantes parceiros de cooperação Sul-Sul no āmbito do programa Ciência sem Fronteiras, iniciativa de fomento à inovação que enviará, até 2014, 100 mil estudantes e pesquisadores brasileiros a centros de excelência no exterior.

Em matéria de defesa, queremos concluir, Índia e Brasil, em breve, entendimentos para a concretização de projetos de pesquisa e desenvolvimento em setores de forte componente tecnológico e estratégico.

A ampla e rica parceria entre a Índia e o Brasil contribui para projetar, com influência positiva, a perspectiva de países em desenvolvimento sobre a agenda internacional.

No campo da governança, nossos países concorrem, por meio de permanentes esforços, para a construção de um sistema institucional internacional mais representativo da atual realidade global.

Além da coordenação na esfera do BRICS, participamos ativamente de grupamentos como o G-4, que pretende reformar o Conselho de Segurança da ONU, mudando a atual composição e ampliando-a para trazer representação de países-membros permanentes e não permanentes.

No G-20 Financeiro e no G-20 da OMC, lutamos para alterar a governança dos organismos multilaterais de crédito, como o Fundo Monetário e o Banco Mundial.

Todos esses organismos onde nos associamos em torno de objetivos políticos, econômicos, comerciais, financeiros e de desenvolvimento sustentável contribuem para a melhoria das relações multilaterais no mundo.

Compartilhamos, juntamente com a África do Sul, Brasil e Índia, a construção do IBAS, que desenvolve a coordenação política e a cooperação econômica entre grandes democracias nos três continentes.

A Índia e o Brasil estão ainda unidos na luta pela reforma das Nações Unidas, onde, juntos, em um Conselho de Segurança ampliado, poderemos oferecer importante contribuição para o sistema internacional, hoje carente de legitimidade e de eficácia.

Na área do desenvolvimento sustentável, somos anfitriões das duas grandes realizações de conferências internacionais sobre meio ambiente. A próxima realização da Conferência Rio+20, em junho, impõe responsabilidades a todos os nossos dois países comprometidos com a redução das assimetrias socioeconômicas de suas sociedades e com a preservação do meio ambiente.

Em outubro deste ano, a realização, na Índia, da COP 11, conferência sobre biodiversidade, torna enfático o nosso papel, de Índia e Brasil como os dois maiores países megadiversos.

A presença de uma liderança mundial respeitada, como o primeiro-ministro Singh, no evento, em junho, no Brasil, será importante para que possamos alcançar os compromissos políticos em torno de um modelo de desenvolvimento que concilie crescimento econômico, inclusão social e proteção ao meio ambiente.

O Brasil considera a Índia parceiro indispensável não só pela densidade da relação bilateral, mas também pela capacidade conjunta de articulação de posições sobre questões fundamentais para o futuro da humanidade.

Nesse espírito, expresso a disposição de meu governo de seguir aprofundando os laços de sincera amizade, respeito e cooperação entre os povos indiano e brasileiro.

Agradeço mais uma vez ao primeiro-ministro Singh a sua excepcional recepção à delegação brasileira e à Presidenta, e também cumprimento o primeiro-ministro Singh pela excepcional realização da IV Cúpula dos BRICS.

Source: Agile News

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